quinta-feira, dezembro 30, 2010

era apenas ela.

Gostava demais de sentir. Gostava muito de estar. 
Ser não era pra ela. Ela não gostava de rotinas, ela não gostava de constantes.
Ela era das variáveis. Inquieta , inconstante, quase impossível.
Mas era ela. 
A que não parava, a que batia a cabeça e que, ainda assim, continuava.
Ela admirava e era admirável. Ela era forte, mas nunca aguentava uma pancada.
Ela guardava as lágrimas, que às vezes conseguiam escapar. Isso não a fazia melhor.
Ela acreditava que era dura e seca por dentro. Mas não era. 
Sempre se equivocava, sempre acabava magoando as pessoas ao seu redor.
Mas não era por mal.
Ela tentava compreender-se de alguma forma. De qualquer forma. E ela não conseguia.
Ela tentava que alguém a compreendesse, mas ninguém a compreendia inteiramente. 
E quando conseguiam alguma coisa, ela mudava por si. 
Não, ela não gostava de constantes. Ela era das variáveis.
Ela tinha sempre muito a dizer. Mas nunca colocava pra fora metade do que tinha que falar.
Ela tinha sempre muito a escrever, mas as palavras nunca se encaixavam no papel.


Ela sentia um turbilhão de emoções, e não sentia nada.
Ela estava cheia da sua situação, e vazia de qualquer outra coisa.
Ela era inconstante, confusa, perdida.


Ela não estava feliz.
A "sorte dela" é que não gostava de ser, 
apenas ESTAR.

1 comentário:

  1. Estar é mais fácil do que ser.
    Ser dá trabalho mas existem pessoas que o são, estar não dá trabalho nenhum e maioria das pessoas estão (...) Ser é lutar, estar é desistir é limitar.
    Amo-te melhor amigo (L)

    ResponderEliminar